Dilma Rousseff veta aumento real, em 2012, para aposentados

Os aposentados não vão ter reajuste acima da inflação no ano que vem. O veto atinge dez milhões que recebem mais de um salário-mínimo.

A presidente Dilma Rousseff anunciou a primeira medida dura de corte de gastos depois da crise. Ela vetou qualquer aumento acima da inflação para os aposentados que ganham acima de um salário-mínimo. Isso é para o ano que vem.

Vai ter muita discussão – e no meio de uma crise econômica. Com o veto da presidente, o reajuste para quem ganha mais de um salário-mínimo vai ter que ser negociado entre o governo e as centrais sindicais, que não gostaram da decisão.

Já para alguns economistas, a presidente agiu bem. Segundo eles, o veto vai ajudar no combate à inflação. Difícil vai ser convencer os aposentados. O veto atinge dez milhões de aposentados que recebem mais de um salário-mínimo.

Apesar da decisão, eles não desistiram: querem um aumento real. Reclamam que, do jeito que está, o dinheiro não rende.

“Cada ano que passa, cada mês, ele consegue comprar menos. porque o aumento que ele tem às vezes só dá para pagar o aumento do plano de saúde. Outras coisas que sobram ele não consegue ir comprando como no ano anterior ou no mês anterior”, observa João Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados.

Para bancar no ano que vem reajustes acima da inflação, seria necessário deixar dinheiro separado. O governo não quis se comprometer. Disse que não tinha como saber de quanto seria essa reserva, porque o valor do reajuste das pensões e aposentadorias ainda tem de ser definido.

Para o economista José Matias Pereira, especialista em finanças públicas, o governo está certo em querer evitar gastos por causa da crise financeira internacional. “O governo tem de sinalizar que está disposto a conter despesas. Não é a questão de examinar e questionar o mérito do aumento dos aposentados”, defende.

Newton Marques, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), diz que o veto não impede reajustes e indica que não é o momento. “Não precisa obviamente ser colocado na lei. É um reajuste que pode ser dado desde que haja um clima melhor para o governo dar esse reajuste”, afirma.

Matéria do Bom dia Brasil da GLOBO